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domingo, 4 de novembro de 2012

Feira Noise Festival 2012, 03/10/2012


Estive presente no encerramento do Feira Noise Festival 2012, no dia 03 de outubro. A proposta do evento é divulgar a cultura alternativa da cidade de Feira de Santana e região, com um enfoque especial para a música, embora outras formas de expressão artística também tenham sido contempladas, como a dança e as artes plásticas.
Sempre acreditei que exista na Bahia muito mais coisas interessantes a se contemplar do que o que a mídia insiste em nos "empurrar goela abaixo". O que falta é divulgação, e se esta não é feita pelos veículos midiáticos convencionais, resta então a via alternativa. Daí a importância de eventos que constituam portas para que gente talentosa, porém "solenemente" desconhecida se mostrem, bem como sua arte.
Bem, no dia em que estive presente, predominou o rock 'n roll. Dos grupos que lá se apresentaram, na arena do Centro de Cultura Amélio Amorim, apesar da chuva forte que caiu e ameaçou "desandar" tudo, destaco três que me chamaram especialmente a atenção, dois daqui de Feira de Santana e um da bela cidade de Paulo Afonso. Juntamente com a minhas impressões pessoais do som dos caras, posto vídeos contendo canções deles, não de gravações do referido festival, uma vez que nenhuma postagem referente ainda foi efetuada.


1. Igor Gnomo Group

Este grupo, originário da cidade de Paulo Afonso, apresenta um som amalgamado no fusion ou jazz-rock, com influências do blues e da música brasileira de raíz. Totalmente instrumental, a guitarra "falante" de Igor Gnomo, juntamente com uma banda afinadíssima, nos brindou com canções autorais sensacionais, além de versões inusitadíssimas de Jackson do Pandeiro (Canto da Ema) e de Milton Nascimento (Vera Cruz). Valeu muito a pena conhecer o som desses caras!

Igor Gnomo - Giselle (album "Nordestino")


2. Tangerina Jones

O som desse jovem e talentoso grupo daqui de Feira de Santana, nitidamente bebe da fonte do rock de bandas setentistas como Small Faces e Rolling Stones. Eles apresentaram um trabalho totalmente autoral, com canções muito bem executadas instrumentalmente e com uma performance competente do vocalista Hebert Almeida. Dentre os destaques, está a canção Crapton (vide postagem abaixo), uma das últimas a serem executadas no show.

Tangerina Jones - Crapton



3. Clube de Patifes

Grupo pioneiro na cena blues de Feira de Santana, nesse show, esses caras apresentaram um repertório totalmente repaginado numa roupagem acústica, com três violões e a percussão de Gabriel Ferreira, e surpreenderam. Além de canções autorais, como Mulher de Repente e Vela, constaram versões bem inusitadas de Assum Preto (Luíz Gonzaga/ Humberto Teixeira) e Eu Só Quero Um Xodó (Dominguinhos/ Anastácia), com uma roupagem blues, obviamente. Grande show!

Clube de Patifes - Mulher de Repente

henrique magalhães
todos os direitos reservados




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O filme que me fez chorar!!


"ao sertão pernambucano
de onde nunca saí"

Sou sertanejo, de "cabo a rabo". Vez ou outra bate aquele boa e velha nostalgia. Me dá vontade de tomar aquele "rabo de galo" (cachaça, para os mais "íntimos), vontade de chorar ao rever fotos de um mundo distante, mas ainda tão próximo de mim (o sertão) e de ouvir o Mestre Lua, o eterno rei Luíz Gonzaga.
O filme Gonzaga - De Pai para Filho é lindo em tudo. O roteiro, que conta a história de dois gênios, o pai e o filho, o Gonzaga e o Gonzaga Jr., a partir de um encontro conflituoso, à princípio. A partir desse encontro, começam a se desenrolar a história do pai e, no decorrer da trama, a do filho. O pai, um retirante nordestino que foi aventurar a sorte no Rio de janeiro depois de pedir exoneração do exército, em Fortaleza. Homem sertanejo de criação rude, que acreditava que era o trabalho que fazia o cabra ser homem. O filho, um carioca do subúrbio, filho do "Rei do Baião" com uma dançarina de Cabaret, uma "mulher da vida". Ambos crescem sem estabelecerem uma relação típica de pai para filho. O pai, pondo o trabalho acima de tudo e relegando o filho a um casal de amigos que o criaram como um filho, defato. O filho, crescendo com a angústia de ter um pai ausente, embora provedor.
Ambos crescem nesse cenário de conflito. Nem mesmo o sucesso de ambos, inclusive o de Gonzaguinha, que resolve se aventurar na música após sair de casa depois de mais uma das inúmeras brigas com o pai, e se torna um dos maiores compositores populares do Brasil em sua época (e até nos dias atuais), consegue reaproximá-los. Até que um dia, encorajado por Rosinha, esposa de seu pai, na época, o filho resolve reencontrar o pai, que havia voltado ao seu sertão, e passava por uma situação de restrição econômica. Entre conflitos, desabafos e conversas, ambos selam o elo pai-filho com um abraço apertado precedido de troca de confidências e perdões. Chorei, e creio que muitos "machões" presentes naquela sessão, se não choraram, tiveram vontade.
Sertanejo é sertanejo sempre mesmo, não tem jeito! Saí do sertão há algum tempo, porém este jamais saiu ou sairá de mim. Onde eu vou, carrego ele comigo, e o bom e velho Mestre Lua, minha trilha sonora. Sempre!

henrique magalhães
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terça-feira, 30 de outubro de 2012

God Bye Emanuelle, por Xico Sá

Bela homenagem do maior cronista "cabra safado" do país, Xico Sá, a maior diva do cinema pornô mundial de todos os tempos: a holandesa Sylvia Kristel. Ela, responsável pela "educação" sexual de milhares de "niños", como este aqui vos escreve, nos deixou aos 60 anos de idade, nesse mês de outubro. A eterna "Emanuelle" vive e viverá eternamente no coração nostálgico daqueles que vararam muitas noites e madrugadas do saudoso "Cine Privê", na Band, aproveitando a fuga e o sono dos pais para exercitarem sua famosa "justiça" (com as próprias mãos, é claro! kkkk). Salve, diva!! Deus a bendiga!

 

Quando o amigo Eduardo Beu me deu a notícia, não tive dúvida, peguei um barquinho no rio Paraguaçu, em Cachoeira, na Bahia, onde me encontrava na Flica, bela festa literária, e sai perdido, como aqueles caras que perderam Deus e passaram a acreditar em Jim Jarmusch.
Havia feito, uma semana antes, um tributo a ela, no Wonka, em Curitiba, recriando a letra de “God bye Emmanuelle”, de Serge Gainsbourg, no projeto “Trovadores do Miocárdio”.
A morte da atriz holandesa Sylva Kristel, a Emmanuelle, aos 60 anos, me deixou à deriva. Por isso demorei tanto para escrever sobre.
Essa mulher foi tudo. Essa mulher levou a linha do destino da minha mão direita de tantos gozos do vício solitário.
Essa mulher me matou de gozo, essa mulher não morre nunca no meu pobre juízo.
Se um homem que é homem tem mais de 40 anos… esse homem se derreteu, alguma vez na vida por essa respeitável holandesa.
Que me desculpe, amigo, estou emocionado, embora tenha buscado na fuga do Recôncavo baiano o esquecimento dessa morte.
Mesmo lesado, perdido, não teve jeito. Só pensei em ti, Emmanuelle, principalmente você amando um homem em pleno voo lindo e noturno.
Eu te amo, Emmanuelle, que a vida lhe seja leve.

Xico Sá
http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2012/10/19/god-bye-emmanuelle/

quinta-feira, 19 de julho de 2012

álbuns inesquecíveis - rock (internacional)

Dando continuidade à série composta por álbuns que marcaram minha vida e ainda hoje me enchem de uma nostalgia juvenil cada vez que eu os ouço, posto aqui comentários sobre mais sete álbuns marcantes de rock, dessa vez internacional. Não dá para lembrar de todos, né!
PS: Sete não é um número esotérico nem, tampouco, cabalístico para mim, é apenas um número que eu simpatizo. Aliás, sempre simpatizei mais com números ímpares. Sei lá, talvez seja alguma coisa meio cabalística mesmo. Ah... vamos aos álbuns!!


1 Guns N’ Roses – Appetite For Destruction


Foi um dos primeiros álbuns de rock internacional que eu realmente parei para ouvir. Já havia ouvido vários outros, mas não como este.
A banda, em seu primeiro trabalho de estúdio nos brinda com um hard rock suingado, irreverente, pesado e melódico na medida certa. Foi, sem dúvida, em minha modéstia opinião, o álbum mais equilibrado que eles lançaram ao longo de sua carreira. E a guitarra de Slash constitui um show a parte.
O disco abre com o clássico Welcome to the Jungle, e vai seguindo com uma série de clássicos até hoje obrigatórios em seu set list como Paradise City, It’s so Easy e Sweet Child O’Mine.


2 U2 – Under a Blood Red Sky


Este foi o primeiro álbum ao vivo gravado por este quarteto irlandês (na época, 1983, ele foi lançado como um mini-LP), uma das bandas de rock mais bem-sucedidas da história. Com uma carreira sólida e concisa ao longo dos anos, com a mesma formação desde os primórdios o grupo passou por altos e baixos no decorrer de sua história, porém vem se mantendo até os dias atuais sem deixar a “peteca cair”, com turnês milionárias, os discursos messiânicos do vocalista Bono Vox e um set list mesclado com clássicos históricos e mais recentes.
Nesse álbum ao vivo gravado em Dublin, capital irlandesa, em 1983, o grupo, ainda jovem, nos brinda com oito faixas até hoje clássicas, em versões arrebatadoras, como Gloria, que abre o disco, The Eletric Co., I Will Follow, New Year’s Day e o hino Sunday Bloody Sunday.   


3 Pearl Jam – Ten


 A cena grunge, surgida em Seattle (EUA, no início da década de 1990, teve como filho mais famoso a banda Nirvana, liderada pelo tresloucado Kurt Cobain. Esta, porém, está longe de ser a banda mais talentosa, musicalmente falando, produzida pelo movimento. Aliás, para quem já assistiu alguma performance deles em um show, percebe-se que eles ficaram muito mais famosos pela “atitude” do que pela música, onde eles nitidamente não tinham o menor pudor em desafinarem ou errarem notas, por exemplo.
Destaca-se, porém, bandas cujo talento era eminente, tanto em estúdio como ao vivo, a exemplo do Alice in Chains e do Pearl Jam. Enfoquemos na última.
Formada pelo ótimo vocalista Eddie Vedder e por mais quatro músicos excepcionalmente talentosos (os guitarristas Stone Gossard e Mike McCready, o baixista Jeff Ament e o baterista Matt Cameron), o Pearl Jam começou bebendo nitidamente na fonte de bandas setentistas inglesas, como o The Faces e o Rolling Stones, como se percebe no seu álbum de estréia, o Ten, lançado em 1991. Nesse disco, recheado de clássicos até hoje indispensáveis em qualquer apresentação da banda, há pancadas como Once, Why Go, Jeremy e a maravilhosa Even Flow, e também baladas como Release, Alive e a belíssima Black.


4 Metallica – Metallica (“The Black Album”)


Na cena thrash metal mundial, nenhuma outra banda se destacou como o Metallica. Considerado por muitos críticos como os pioneiros do estilo, uma espécie de heavy metal com um som mais “sujo” e mais agressivo, o grupo lançou álbuns clássicos ao longo de sua carreira de 30 anos. Entre 1983 e 1991, gravaram cinco álbuns clássicos: Kill’n Wall (1983), Ride the Lighting (1984), Master of Puppets (1986), …and Justice for All (1988) e Metallica (1991). Esta constitui a fase áurea de sua longa história.
No último álbum citado acima, conhecido popularmente também como “The Black Album” devido a capa em tom negro (provavelmente uma homenagem póstuma ao falecido ex-baixista Cliff Burton), o grupo apresenta um som mais cadenciado em relação ao álbuns anteriores, embora ainda pesado. Destaque para as belas The Unforggiven e Nothing Else Matters, e as clássicas Sad But True, Enter Sandman e Wherever I May Roam.      


5 Radiohead – OK Computer


Eleito por diversas revistas especializadas em rock n’roll e música em geral como um dos melhores álbuns de rock da década de 1990, a exemplo da conceituada Billboard, esse álbum consagra de vez o Radiohead, um dos pioneiros do movimento BritishPop (ou simplesmente, Pop Britânico) dos anos 1990, como uma das bandas mais criativas ainda em atividade da música mundial. Sim, Thom Yorke é um poeta genial cercado por músicos talentosos, como o guitarrista Ed O’Brien, que compõem a cozinha perfeita para o menu de canções a serem servidas.
O Ok Computer constitui também o álbum mais equilibrado do Radiohead, onde este combina perfeitamente a sonoridade pop de seus álbuns anteriores, o Pablo Honey (1992) e o The Bends (1995), com o experimentalismo que viriam a ser mais enfocados em seus trabalhos posteriores, como o Kid A (2000) e o Amnesiac (2001). Tematicamente, o álbum aborda a tecnologia, a política, a alienação e a hipocrisia social. Destaque para No Surprises, Karma Police, Let Down e a espetacular Paranoid Android.


6 Iron Maiden – Powerslave


Quando eu comecei a ouvir rock pesado, comecei pelo thrash metal, uma variação mais agressiva do heavy metal, por bandas como Megadeth, Metallica e Slayer. Ouvir o Iron Maiden pela primeira vez, através de um grande amigo que eu considero um irmão chamado Manoel, foi antes de tudo a descoberta de que era possível fazer um som pesado e ao mesmo tempo melódico. Virei fã quase que instantâneo da banda.
Maior representante do movimento conhecido como New Wave of the British Heavy Metal (NWBHM), surgido no início dos anos 1980, o Iron Maiden começou como um quinteto centralizado nas personalidades do guitarrista Dave Murray e do baixista Steve Harris, únicos integrantes fixos do grupo até então. As temáticas de suas letras alternam entre histórias de ficção científica, misticismo e até eventos históricos.
No Powerslave, quinto álbum de estúdio do grupo (lançado em 1984), o time é composto pelos vocais de Bruce Dickinson, a guitarra de Adrian Smith e a batera de Nicko McBrain, além dos já citados membros, constituindo a formação mais clássica do grupo. Clássicos como Aces High e 2 Minutes to Midnight são até hoje obrigatórios em qualquer turnê do grupo. Na minha modéstia opinião, é o melhor álbum já produzido pelo grupo, juntamente com o Piece of Mind, gravado um ano antes (1983). Ambos não contêm uma única faixa ruim, ou sequer regular.


7 Sepultura – Arise


Quando ouvi pela primeira vez o Sepultura eu devia ter uns 17 anos. Pirei instantaneamente (sem exageros)! Foi através de um amigo chamado Cléo, que andava comigo e com alguns amigos “roqueiros” da rua onde morei em minha juventude. Na casa dele havia um LP Arise, juntamente com algumas outros discos pertencentes a sua mãe. A capa já me assustou logo de cara. Uma coisa quase que apocalíptica! Quando comecei a ouvir os primeiros acordes de Arise (faixa-título) então, me arrepiei todo. Nunca havia ouvido nada tão pesado e tão tenebroso ao mesmo tempo. Mas acabei ficando viciado pelo álbum, a ponto de eu os mesmo citados amigos termos, na época, encomendado camisas pretas com a capa do citado álbum gravada. Em shows de rock que rolavam na cidade, ou até mesmo em outros eventos, só dava ela.
Pioneiros no movimento surgido em Belo Horizonte no fim dos anos 1980 que divulgava o metal pesado cantado em inglês, juntamente com bandas como Chakal e Sarcofago, o Sepultura foi fundado pelos irmãos Max (vocal e guitarra rítmica) e Igor Cavalera (bateria) e depois consolidado com Andreas Kisser (guitarra solo) e Paulo Jr. (baixo). Foi também uma das bandas brasileiras pioneiras a desbravar terras estrangeiras com o tipo de som que faziam.
Além de Arise, destaca-se pancadas como Dead Embryonic Cells, Desparate Cry, Subtraction e a versão matadora de Orgasmastroin, do Motörhead, uma de suas maiores influências.

henrique magalhães
(todos os direitos reservados)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Maria Teclado e o sexo na Flip, por Xico Sá

Eis mais um "testículo" extraído da coluna do Xico Sá, figura "cosmofílica, catafólica, esquizofrênica", ou seja mais lá o que for.
Em um país de livros caros, homens baratos e pseudo-intelectuais (para não falar em "jumentos" mesmo, com todo respeito ao animal-símbolo da força e da bravura do homem campestre), as ditas  "Marias-teclados" podem consistir em um símbolo desse falso intectualismo imperante em terra brasuca. Ou não, elas apenas se sentem atraídos por caras cults (seja lá que diabos for isso), que curtem literatura e escrevem.
De qualquer maneira, é um texto interessante, provocador, divertido. E por que não dizer reflexivo? Boa leitura, e que venham as Marias-teclados!

A argentina Pola Oloixarac fez a festa dos "Zé-teclados" na Flip 2011 

Ao contrário dos festivais de música, teatro e cinema, as farras literárias, como a Flip, costumam ser mais conservadoras em matéria -sejamos diretos, sem metáforas -de sexo.
A literatura ainda guarda uma certa solenidade. Basta ver a quantidade de fotos de escritores com mão no queixo.
Mas nada que uma Maria Teclado não possa mudar o cenário careta. Um país se faz com livros e Marias Teclados. Elas salvam a Flip.
Assim como a Maria Chuteira se derrama de amores pelos jogadores e a Maria Gasolina aprecia os felizes portadores de carrões, a Maria Teclado vem a ser uma íntegra e romântica gazela que ama os escritores e os seus volumes, suas obras completas, capa mole ou capa dura.
Num país que pouco se lê, tem coisa mais bonita?
A MT é uma criatura generosa e pratica, nas baladas literárias, Flips, bienais etc, o sagrado e bíblico direito da conjunção carnal, abandonando o mítico posto de musa.
Para um escritor ainda não muito flipável ou conhecido, a maldição literária é a melhor isca para levar uma Maria Teclado à alcova. Vale por uma estante de prêmios jabutis.
Os marginais sabem, como no mantra do Eduardo Cac, um dos nossos representantes da geração 70, que “para curar um amor platônico somente uma trepada homérica.”
Não carece, porém, repito, preocupação alguma com vosso gênero ou estilo. Pasme, até os cronistas, velhos praticantes deste gênero que é o caldo-de-cana com pastel de feira da literatura, têm direito a amantes talhadas para o tecladismo.
A Maria Teclado possui um caráter inoxidável. É raro uma MT que ama um ficcionista cair de amores, mesmo com a crueldade outonal do calendário, por um milionário mago da autoajuda.
Somente sob efeito de tonéis de Maria Izabel, a cachaça oficial da Flip, uma MT pode embaralhar os gêneros, os estilos e as vocações, fazendo da taberna literária um saloon do velho Oeste. Os civilizados ficcionitas também vão às vias de fato.
O normal, porém, é a fidelidade, ao contrário do que ocorre com as Marias Chuteiras e Gasolinas. Estas carecem de status e não curtem ostracismo.
Ter uma MT é um luxo sob qualquer ângulo. Para começar, ela é antes de tudo uma leitora. Voraz ou não, estuda o seu alvo, nunca larga um livro antes da vigésima página -se bem que existem MTs que sabem dar o truque tanto quanto os resenhistas de plantão dos nossos jornais. Haja leitura dinâmica.
No geral, ressalte-se, a Maria Teclado é uma mulher séria, honesta, lida mesmo, capaz de dizer no ouvido do mancebo parágrafos inteiros dos seus livros obscuros. Inclusive daquela primeira publicação que o autor renega e abomina. Nestas ocasiões é broxada na certa, deixa quieto, não era esta a intenção da mademoiselle.
Como não se trata de uma interesseira, está mais para uma admiradora, uma MT pode dar em uma ótima e legítima esposa. Isso não significa que sejam umas Amélias. É atividade que abraça por vocação, zelo e gosto.
Não há limites para as qualidades de MT. Muitas vezes também escrevem, na moita, revelando aos poucos os seus papiros. Muitas superam os seus maridos, como a Simone de Beauvoir, que começou como MT e fez-se uma escritora mais palatável do que o bofe existencialista.
Sim, os Zés Teclados também já se encontram em Paraty. Bom proveito a todos.

Xico Sá
Colunista da Folha de São Paulo

Extraído de http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2012/07/05/maria-teclado-e-o-sexo-na-flip/

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Chifre: Modo de Usar, por Xico Sá

Descobri esse texto, interessantíssimo, futucando um dos blogs o qual eu costumo seguir com uma relativa regularidade, assinado pelo jornalista e cronista cearense Xico Sá (http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/).
Trata-se de uma reflexão bem-humorada e sem "frescuras" sobre uma das questões mais discutidas e também mais témidas (principalmente por nós, "homens com H"): o chifre.
Enfim: quem nunca levou (ou pelo menos não sabe que já levou)?
A todos e a todas, uma inquietante leitura!



Como assim corno de si mesmo?
É possível?
Como aprendi, entre outras tantas lições, com o meu conterrâneo Miguel Arraes: “Meu filho, tudo é possível no mundo dos possíveis”. Era uma coletiva no Palácio do Campo das Princesas. Jovem repórter, havia feito uma pergunta imbecil qualquer.

É possível ser corno de si mesmo? Sim. Está ai o Marques de Sade, um dos padrinhos sentimentais deste blog, que não nos deixa mentir.

Cuidado. É mais possível do que o amigo e a amiga imaginam.
Digamos que você vá a uma baile de máscaras. E lá esteja, sem que o saiba, seu marido ou a sua mulher. Você transa sem saber que é ele(a).

Eis a pista. Mais eu não conto para não estragar de tudo a leitura deste conto genial. Havia sido lançado pela Hedra, agora volta em uma edição para lá de econômica, apenas cinco mangos, na coleção de banca da L&PM.
Coleçãozinha excelente da editora de Porto Alegre. São livros de até 64 páginas, contos ou pequenos ensaios. Ideais para ler no metrô, em uma ponte aérea, no consultório.

Bela iniciativa no país dos livros caros e dos homens baratos.
“O corno de si mesmo” é da série de textos que o nobre Marquês escreveu quando estava preso na Bastilha, por volta de 1787, na França.

De si mesmo ou de outrem, amigo, algum dia faltamente seremos. Por isso o valor dessa literatura para refletir e coçar a testa. Eu recomendo.
Não há nada demais nisso. Seja você manso, complacente, quase um voyeur do chifre, como muitos personagens de Sade. Seja você um corno bravo, destemido, do tipo que sai a fazer besteiras. Inúteis besteiras. Chifre posto, nada mais nessa vida o subtrai.

Sim, caro Marçal Aquino, o amor e outros objetos pontiagudos. Acontece nas melhores famílias da Inglaterra ou do Crato.
Só um chifre, aliás, humaniza um macho. Só um chifre tira a nossa arrogância falocrática.

E já que falamos de filosofia de pára-choque, fica aqui um clássico: chifre é para homem, boi usa de enxerido.
Relaxa.


Xico Sá
(Jornalista, colunista da Folha de São Paulo)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

aula-show com ariano suassuna - feira de santana (ba), 06/05/2012

O mestre Ariano Suassuna

Ontem, no início da noite do domingo, 06 de maio de 2012, tive o previlégio de assistir a uma "aula-show" com um dos maiores mestres vivos da literatura brasileira: Ariano Suassuna.
Com uma lucidez ainda invejável no auge de seus 84 anos de idade, apesar de sua voz frágil, rouca e "horrorosa", conforme ele mesmo ressaltou ao longo da aula, de forma senpre bem-humorada, o escritor, dramaturgo e precussor do Movimento Armorial, movimento surgido na década de 60/ 70 e que tinha como proposta a fusão da cultura popular nordestina com elementos da cultura barroca e clássica.
Com maestria, leveza e bom-humor, o mestre Ariano brincou com o público em diversos momentos, contou "causos" vividos por ele mesmo e por pessoas de seu convívio, incluindo colegas escritores, e discorreu sobre a temática do sertão através de suas obras, como O Auto da Compadecida e A Santa e a Porca, ao longo de aproximadamente 2 horas de "aula-show".
Na ocasião, levei um livro contendo uma antologia poética dele para uma possibilidade de autógrafo, mas a disputa tava tão grande no final que acabei desistindo, o que não chegou a ser uma frustração. Já estava satisfeito o suficiente.
O evento terminou com a certeza de que a cultura popular do nordeste continua mais viva do que nunca, apesar da mesma parecer (apenas parecer!) pequena muitas vezes, diante de tantas novidades "descartáveis" a que temos acesso hoje, isso em um espaço de tempo muito pequeno. Outro ponto que foi ressaltado pelo mestre: os livros impressos são insubstituíveis, apesar dos livros on-line.
Salve mestre! Valeu!!

Henrique Magalhães
(todos os direitos reservados)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

o que é uma mulher gostosa?

Amigos,

Esse vídeo, criado por meu ilustre amigo cearense George Facundo, que apesar de ser uma piada personificada, jura de pé junto que não sabe contar piada (ele uma vez me afirmou isso pessoalmente), traz a tona uma das questões mais enigmáticas do mundo moderno e dos botecos da vida: "O QUE É UMA MULHER GOSTOSA?".
Dêem uma conferida, se divirtam, tirem suas próprias conclusões e comentem!!

Um abraço.


http://www.youtube.com/watch?v=Fu1UW1PItTk

terça-feira, 1 de maio de 2012

vozes inocentes - sinopse



Assisti esse filme há uns três anos atrás, se não me falha minha memória.
Trata-se de uma belíssima e dramática estória que se passa em El Salvador, nos anos 80, em meio ao auge da guerra civil que assolou o país naquele período. O personagem principal é uma criança de 11 anos de idade chamada Chava (Carlos Padilha), que após seu pai abandonar a família em meio à guerra civil , se torna o "homem da casa". Por causa da guerra as forças armadas do governo recrutam garotos de 12 anos, retirando-os das salas de aula. Chava ainda tem um ano até ser também recrutado, sendo que neste período precisa conseguir um emprego para ajudar sua mãe (Leonor Varela) a pagar as contas e também escapar da violência diária causada pela guerra civil.
Recomendadíssimo para quem gosta de filmes que misturem uma boa ficção contextualizada em um fato histórico real, com ótimas pitadas de drama e superação.

Título Original: Voces Inocentes
Lançamento: 2004
Direção: Luis Mandoki
Elenco: Carlos Padilha, Léonor Varela, Ofelia Medina, Daniel Gimenez-Cacho
Gênero: Drama/ Guerra
Nacionalidade: México/ EUA

Henrique Magalhães
(todos os direitos reservados)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Noites Tropicais - Nelson Motta



Uma lenda viva da música brasileira (independente dos ódios ou paixões que ele desperte ou já tenha despertado), seja como produtor cultural ou compositor, Nelson Motta, em seu livro Noites Tropicais faz uma sinopse imparcial e bem-humorada da história da música brasileira dos últimos 30 anos (do início da Bossa Nova até 1992, com o advento da "onda sertaneja"). Na obra, relatos que vão de hilariantes (as histórias envolvendo o Tim Maia), à trágicas (a morte da "pimentinha" Elis Regina, em 1982), passando por passionais (o envolvimento amoroso do próprio autor com a Elis, ainda casada com Ronaldo Bôscoli). Relatos, histórias e memórias musicais, na ótica de quem vivenciou a música brasileira de perto nos últimos 40 anos.
Vale a pena!!

Motta, Nelson. 2000. Noites tropicais: solos, improvisos e memórias musicais. Objetiva, 464 p.

Poeta, poetinha vagabundo...



Certa vez, em uma roda de amigos regada a muito uísque e violão, perguntaram ao "poeta, poetinha vagabundo" Vinícius de Moraes: "você acredita que exista reencarnação?". Ele respondeu em tom de dúvida e deboche: "não sei, deve existir né?". Então a mesma pessoa que lhe fez a pergunta anterior (o Chico Buarque, se não me engano) volta e lhe perguntar: "e se existir reencarnação, quem você gostaria de ser em outra vida?". O poetinha responde: "poderia ser eu mesmo". Faz uma pequena pausa e continua: "mas o pau poderia ser um pouquinho maior".

Extraído do filme-documentário Vinícius